quinta-feira, setembro 21, 2006

Habetis Papam

Hoje, uma vez mais, o Papa Bento XVI explicou que a citação que tanta azia tem provocado não reflecte a sua própria forma de pensar; bem pelo contrário, era uma maneira ilustrativa de evidenciar que a violência não deve ser usada em nome da religião.

A adequação da linguagem usada num discurso, tendo em conta o público a quem este é dirigido, é tão ou mais importante do que a mensagem nele veiculada. Se, em alguns casos, a falha de comunicação se deve à incapacidade do interlocutor em reconhecer as limitações (intelectuais, culturais, cognitivas) daqueles que o escutam, neste caso concreto a mensagem só não foi entendida - e, o que é mais grave, foi deturpada e manipulada pelos meios de comunicação - por quem não pode (ou não quer) perceber que o mundo islâmico não tem como inimigo e perseguidor o supremo chefe da igreja católica. Só assim se explica o redobrado cuidado de Bento XVI em mais uma declaração sobre o assunto, para que não haja dúvidas de que um papa é, antes de mais, um pregador da doutrina cristã que fala para multidões de ignorantes e de sábios, católicos ou não católicos, com igual eloquência e clareza.

Todos os católicos sabem que o discurso de Bento XVI é universal, e cada vez mais se compreende e se aceita a importância do ecumenismo como forma de evolução da própria história da religião. Num mundo em que uma mensagem demora apenas alguns instantes a ser transmitida através dos media por todos os cantos do planeta, seria no mínimo ingénuo pensar que quando o Papa discursa só tem intenção de se dirigir hermeticamente aos "seus". Há que perceber, com urgência, que 'Habemus Papam' também quer dizer 'Habetis Papam'.

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