segunda-feira, dezembro 18, 2006

Stalin e Heidi

Por outro lado, há sempre quem consiga surpreender nas escolhas de presentes de Natal. Como uma empregada de há muitos anos, a Primavera (não podia inventar este nome, nem que quisesse), que insistia em oferecer-me cuecas com balões, anjinhos ou a Heidi (estas últimas, dizia ela, eram "só para ocasiões especiais"). Ou um tio velhote, excêntrico e solteirão que chegava sempre atrasado para o almoço de Natal (quando se lembrava de aparecer), carregado de moinhos de vento para as crianças da casa, tentando com isto despertar-lhes o interesse para as coisas simples da vida, como o vento, as leis da física e os perdigotos. A melhor coisa que ele nos deu foi um curso intensivo de russo em cassetes, uma relíquia stalinista que espera até hoje um fim condigno ao lado da horrenda Heidi, com aquele chapelinho que parecia metade de um queijo flamengo virado para baixo.

Com Stalin em voz roufenha e Heidi por baixo dos collants, Dickens não precisava de ter criado o Mr. Scrooge. Bastava ter ido ao almoço de Natal lá em casa nos anos 80.

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