terça-feira, julho 11, 2006

Amar o inimigo

Dizer mal de alguém requer perícia e esmero. Se o propósito é enxovalhar outra pessoa, que seja com argumentos e impropérios sagazes, à boa maneira oitocentista, e onde cada palavra funcione como uma bomba-relógio a minar a confiança daquele que é insultado.

Dos inimigos espera-se muito mais do que o ódio simples, banal. Espera-se uma obsessão doentia, um continuado aprumo na maledicência, uma jura eterna de guerra. Ter inimigos é ter uma relação quase conjugal com alguém que nos conhece bem demais, e que por isso mesmo explora as nossas fraquezas com arte e engenho. Não há como não apreciar a fidelidade de um inimigo.

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