segunda-feira, dezembro 25, 2006

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O padre tocava guitarra no altar, entoando cânticos abrilistas sobre a liberdade e o pão. A beata mais importante da paróquia, que se distinguia das outras por ter mais xailes a cobrir simultaneamente as costas, os ombros e a cabeça, cantava de um só fôlego as quatro linhas do refrão do salmo. A homilia abordava aspectos importantes da época festiva que se vive, como a "prepotência de certos políticos".

No fim, em jeito de resumo, gritava-se ao microfone que há muita gente que "não merece ter Natal", a saber: aqueles que não acreditam em Deus, aqueles que se deixam consumir pelo ódio, os irmãos que vivem em constante discórdia, os pais que abandonam os filhos, os filhos que não conhecem os pais, os governantes que semeiam a guerra, bem como toda a espécie de prevaricadores, incastos e divorciados.

Saí da igreja em silêncio e pasmo profundos e fui celebrar o Natal com a minha família. O Natal que mereço.

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